segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Silêncio de Marina sobre clientes lembra Palocci

 

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Recolhida para gravar programas de TV neste domingo, a ex-senadora Marina Silva não foi perguntada sobre sua empresa que, nos últimos três anos, faturou R$ 1,6 milhão com palestras; ao que tudo indica, ela manterá a decisão de não revelar quem são seus clientes, em razão de cláusulas de confidencialidade nos contratos; o silêncio poderá preservar a identidade de financiadores já públicos e notórios de Marina, como o Itaú e a Natura, mas não contribui para a transparência do processo eleitoral; no início do governo Dilma, o então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, caiu por se negar a revelar a identidade dos clientes; naquela época, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) cobrou os nomes; será que fará o mesmo em relação a Marina?

31 de Agosto de 2014 às 17:32

247 - Em 2011, primeiro ano do governo Dilma, uma reportagem da Folha de S. Paulo revelou ao País a existência de uma consultoria chamada Projeto. Ela pertencia ao então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, e havia sido criada por ele após sua queda do Ministério da Fazenda, ainda no governo Lula.

Quando estourou o caso, Palocci foi insistentemente cobrado a revelar quem eram seus clientes, para rechaçar qualquer suspeita de tráfico de influência. O ex-ministro, no entanto, decidiu preservar a identidade de seus clientes, alegando cláusulas de confidencialidade em seus contratos. Resultado: foi demitido do governo Dilma, depois que sua situação se tornou insustentável.

Àquela época, Palocci foi alvo de uma saraivada de críticas da oposição e de uma incessante cobrança dos meios de comunicação para que abrisse seus clientes. Até mesmo o senador Aécio Neves (PSDB-MG) assumiu um discurso nessa direção. "É preciso, e eu acho que o próprio ministro tem interesse nisso, que se saiba quais os serviços foram prestados, quais empresas fizeram a contratação. Mas vamos aguardar com serenidade. Não é nosso interesse criar um movimento de desestabilização do governo", afirmou, em maio de 2011.

Neste domingo, a Folha de S. Paulo revelou a existência de outra empresa: a M. O. M. da S. V. de Lima, que tem as iniciais de Marina Silva e comercializa suas palestras. Em três anos, Marina ganhou R$ 1,6 milhão de clientes que pagaram para ouvi-la. No entanto, a ex-senadora, que concorre à presidência da República pelo Partido Socialista Brasileiro, decidiu usar o mesmo argumento de Antônio Palocci em 2011 e omitir a identidade de seus clientes, alegando que os contratos possuem cláusulas de confidencialidade.

É provável que, entre os apoiadores de Marina nos últimos três anos, estejam financiadores já públicos e notórios, como o Itaú e a Natura. Portanto, não seria surpresa alguma se os nomes dessas duas empresas aparecessem na lista de contratantes da M. O. M. da S. V. de Lima Ltda. No entanto, ao ocultar quem são seus clientes, Marina não contribui em nada para o princípio da transparência, tão valorizado na sua "nova política".

Será que Aécio, que cobrou Palocci, irá cobrar Marina? E o que esperar da presidente Dilma? Os próximos dias dirão se as campanhas dos candidatos de PT e PSDB estão, de fato, dispostos a desconstruir a candidata Marina.

Mais um detalhe: comparar a situação de Marina à dos ex-presidentes Lula e FHC, que também fazem palestras, não é apropriado. Lula e FHC se tornaram palestrantes depois de deixar o poder – e não antes. É uma diferença fundamental.

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/151914/Sil%C3%AAncio-de-Marina-sobre-clientes-lembra-Palocci.htm

Antes de votar em Marina, você precisa conhecer Neca – e fazer a pergunta de R$ 18 bilhões

 

marina Antes de votar em Marina, você precisa conhecer Neca   e fazer a pergunta de R$ 18 bilhões

Você precisa conhecer Neca. Ela é a coordenadora do programa de governo de Marina Silva, pela Rede Sustentabilidade, ao lado de Mauricio Rands, do PSB. O documento será divulgado na semana que vem, 250 páginas consensadas por Marina e Eduardo Campos. Educadora, com longo histórico de obras sociais, Neca conheceu Marina em 2007. É uma das idealizadoras e principais captadoras de recursos da Rede Sustentabilidade.

Sua importância na campanha e no partido de Marina Silva já seria boa razão para o eleitor conhecê-la melhor. Ainda mais após a morte de Eduardo Campos. Mas há uma razão bem maior. Neca é o apelido que Maria Alice Setúbal carrega da infância. Ela é acionista da holding Itausa. Você pode conferir a participação dela neste documento do Bovespa. Ela tem 1,29% do capital total. Parece pouco, mas o valor de mercado da Itausa no dia de ontem era R$ 61,4 bilhões. A participação de Maria Alice vale algo perto de R$ 792 milhões.

A Itausa controla o banco Itaú Unibanco, o banco de investimentos Itaú BBA, e as empresas Duratex (de painéis de madeira e também metais sanitários, da marca Deca), a Itautec (hardware e software) e a Elekeiroz (gás). Neca herdou sua participação do pai, Olavo Setúbal, empresário e político. Foi prefeito de São Paulo, indicado por Paulo Egydio Martins, e ministro das relações exteriores do governo Sarney. Olavo morreu em 2008. O Itaú doou um milhão de reais para a campanha de Marina Silva em 2010 (leia mais aqui).

Em agosto de 2013 - portanto, no governo Dilma Rousseff - a Receita Federal autuou o Itaú Unibanco. Segundo a Receita, o Itaú deve uma fortuna em impostos. Seriam R$ 18,7 bilhões, relativos à fusão do Itaú com o Unibanco, em 2008. O Itaú deveria ter recolhido R$ 11,8 bilhões em Imposto de Renda e R$ 6,8 bilhões em Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A Receita somou multa e juros.

R$ 18 bilhões é muito dinheiro. É difícil imaginar que a Receita tirou um valor desse tamanho do nada. É difícil imaginar uma empresa pagando uma multa que seja um terço disso. Mas embora o economista-chefe do Itaú esteja hoje no jornal dizendo que o Brasil viveu um primeiro semestre de "estagnação", o Itaú Unibanco lucrou R$ 4,9 bilhões no segundo trimestre de 2014, uma alta de 36,7%. No primeiro semestre, o lucro líquido atingiu R$ 9,318 bilhões, um aumento de 32,1% em relação ao primeiro semestre de 2013. O Unibanco vai muitíssimo bem. E gera, sim, lucro para pagar os impostos e multa devidos - ainda que em prestações.

A autuação da Receita foi confirmada em 30 de janeiro de 2014 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. O Itaú informou que iria recorrer desta decisão junto ao Conselho Administrativo de Recursos fiscais. Na época da autuação, e novamente em janeiro, o Itaú informou que considerava "remota" a hipótese de ter de pagar os impostos devidos e a multa. Mandei um email hoje para a área de comunicação do Itaú Unibanco perguntando se o banco está questionando legalmente a autuação, e pedindo detalhes da situação. A resposta foi: "Não vamos comentar."

O programa de governo de Marina Silva, que leva a assinatura de Maria Alice Setúbal, merece uma leitura muito atenta, à luz de sua participação acionária no Itaú. Um ano atrás, em entrevista ao Valor, Neca Setúbal foi perguntada se participaria de um eventual governo de Marina. Sua resposta: "Supondo que Marina ganhe, eu estarei junto, mas não sei como. Talvez eu preferisse não estar em um cargo formal, mas em algo que eu tivesse um pouco mais de flexibilidade."

Formal ou informal, é muito forte a relação entre Neca e Marina. Uma presidenta não tem poder para simplesmente anular uma autuação da Receita. Mas tem influência. E quem tem influência sobre a presidenta, tem muito poder também. Neca Setúbal já nasceu com muito poder econômico, que continua exercendo. Agora, pode ter muito poder político. É um caso de conflito de interesses? Essa é a pergunta que vale R$ 18,7 bilhões de reais.

http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/08/20/antes-de-votar-em-marina-voce-precisa-conhecer-neca-e-fazer-a-pergunta-de-r-18-bilhoes/

Professor desmonta conteúdo do site “Marina de Verdade”

 

Gustavo Castañon, filiado ao PSB, contesta informações sobre a Bláblárina.

Ilustração originária do Marineitor

O Conversa Afiada reproduz artigo do professor Gustavo Castañon, extraído do Viomundo:

Filiado ao PSB contesta conteúdo do “Marina de Verdade”

por Gustavo Castañon
Candidata Marina Silva, meu nome é Gustavo Castañon. Sou, entre outras coisas, filiado há mais de dez anos ao PSB, partido que hoje a senhora usa para se candidatar, professor na Universidade Federal de Juiz de Fora e um cristão convicto, como acredito que a Senhora também seja, do seu jeito.
Investida de seu eterno papel de vítima, sua campanha lançou um site na internet chamado “Marina de Verdade” (com V maiúsculo mesmo) para combater supostas “mentiras” espalhadas contra a senhora na internet. Vou aqui responder uma a uma as afirmações de seus marqueteiros no site citado, oferecendo os links de fontes das minhas afirmações.

1 – Não Marina, você não sofre preconceito por ser evangélica.
Você é que acredita que todos aqueles que não compartilham de suas crenças queimarão eternamente no fogo do inferno. É o que está claramente descrito no credo (credo 14) de sua agremiação religiosa. Que nome podemos dar a isso? Certamente é um nome mais assustador do que intolerância ou preconceito. Talvez essa seja a origem de seu maniqueísmo, já que separa o mundo entre os bons, que apoiarão seu possível governo, e os maus, que lhe fariam oposição, como eu. O seu problema não é ser protestante. É ser da Assembleia de Deus, associação pentecostal de vários ramos que interpreta literalmente o Antigo Testamento, e que tem entre seus pastores Marcos Feliciano, que vende curas a paraplégicos, e Silas Malafaia, este homem que hoje defende da “cura gay” à teologia da prosperidade e vende bênçãos de Deus. Eu me pergunto: o que alguém que faz parte de uma organização que faz comércio com a palavra de Cristo é capaz de fazer na vida política? Qual o nível de inteligência que pode possuir alguém que faz interpretações tão rasteiras do significado da Bíblia? Essas são perguntas legítimas que as pessoas se fazem, e não por preconceito, mas por conceito.
2 – Não Marina, o Estado Laico deve intervir nas práticas religiosas quando são fora da lei.
Se uma religião resolve reinstituir o sacrifício de virgens dos Astecas ou a amputação de clitóris comum em alguns países muçulmanos hoje, o estado tem que observar inerte essas práticas em nome da liberdade religiosa e do laicismo? Não, candidata. Nenhuma organização está acima da lei num Estado Laico.

3 – Não Marina, você não é moderna, você é uma fundamentalista mesmo.
O fundamentalismo religioso não é a negação do Estado Laico, essa é só uma espécie de fundamentalismo, o teocrático. O fundamentalismo se caracteriza pela crença de que algum texto ou preceito religioso seja infalível, e deva ser interpretado literalmente, tanto em suas afirmações históricas como comportamentais ou doutrinárias. E o ataque ao Estado Laico pode vir também pela incorporação de leis, que desrespeitem as minorias religiosas ou não religiosas, impondo um valor comportamental de determinada religião a todos os cidadãos. Isso faz da senhora uma fundamentalista (Assembleista) que compartilha das crenças de Feliciano e Malafaia, e uma adversária, se não do Estado Laico, do laicismo que deveria orientar todas as nossas leis, pois defende plebiscitos sobre esses temas para impor a vontade das maiorias religiosas sobre as minorias em questões comportamentais.

4 – Não Marina, você é, sim, contra o casamento gay.
Você agora diz que está sofrendo ataques mentirosos na internet sobre o tema, mas sempre se colocou abertamente contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, defendendo somente a união civil nesse caso. E não adianta simular que o que o movimento gay está reivindicando casamento religioso. O casamento é também uma instituição civil. Você só defende união de bens, sem todos os outros direitos que o casamento confere às pessoas. O vídeo acima e mais esse vídeo aqui provam esse fato de conhecimento público.
PS: Hoje, dia 29/08/2014, ao lançar seu programa de governo, a candidata mudou uma posição defendida por toda vida, faltando um mês para a eleição. Por que?

5 – Realmente Marina, você não é petista.
Você abandonou o partido que ajudou inestimavelmente a construir sua vida política, ao qual você deve todos os mandatos e o único cargo que ocupou até hoje, porque não tinha espaço para sua candidatura à presidência. Hoje, você busca se associar, sem qualquer pudor ou remorso, a inimigos ideológicos históricos do partido, repetindo as práticas que supostamente condena no PT e chama de “velha política”. Só que faz isso somente para chegar ao poder e construindo um projeto oposto àquilo a que defendeu toda a vida.

6 – Realmente Marina, você não é tucana. Mas sua equipe econômica é.
Sua equipe econômica conta com André Lara Resende e Eduardo Giannetti, ex-integrantes da equipe econômica do governo FHC, além de seu coordenador Walter Feldman, que fez toda sua história no PSDB. Suas propostas econômicas são as mesmas do PSDB. Agora, de fato, o que nem o PSDB jamais teve coragem de ter é uma banqueira como porta voz de sua política econômica… Você não quer alianças com governos atuais de nenhuma agremiação, como o de Alckmin, exatamente para manter sua imagem de anti-tudo-o-que-está-aí. Mas não se sente constrangida em ter o vice de Alckmin na coordenação financeira de sua campanha, nem de convidar o “bom” representante de sua “nova política” José Serra para seu governo…

7 – Não Marina. Você defendeu, sim, Marcos Feliciano.
Você afirmou que ele era perseguido na CDH não por causa de suas posições políticas, mas por ser evangélico. Disse que isso era insuflar o preconceito religioso. Não, candidata. Você está falando de seu companheiro de Assembleia de Deus, um homem processado por estelionato, que pede senha de cartão de crédito de seus fiéis, que defende que os gays são doentes e os descendentes de africanos amaldiçoados. Recentemente, esse homem que você afirma ser vítima do mesmo preconceito que você sofreria, afirmou à revista Veja: “Eu não disse que os africanos são todos amaldiçoados. Até porque o continente africano é grande demais. Não tem só negros. A África do Sul tem brancos”. Ao usar essa estratégia de defesa pra ele e para você, você reforça os preconceitos da sociedade e o comportamento de grande parte dos pentecostais de blindar qualquer satanás que clame “Senhor, Senhor” em suas Igrejas.

8 – Não Marina. Você não é só financiada por banqueiros. Eles coordenam seu programa!
Neca Setúbal, herdeira do Itaú, não é só sua doadora como pessoa física. Ela é a coordenadora de seu programa de governo e sua porta-voz, e já declarou que você se comprometeu a dar “independência” (do povo e do governo) ao Banco Central, que fixa os juros que remuneram os rendimentos dela. Da mesma forma, o banqueiro André Lara Resende, um dos responsáveis pelo confisco da poupança na era Collor e assessor especial de FHC, é o formulador de sua política econômica.

9 – Não Marina, você é desagregadora e vilipendia a classe política. Seu governo será o caos.
Você é divisionista e maniqueísta e implodiu meu partido em uma semana de candidatura. Vai deixar seus escombros para trás quando chegar ao poder, como sabemos e já anunciou, para delírio daqueles que criminalizam a política. Seu partido é nanico, e se não o criar com distribuição de cargos, continuará nanico. Com a oposição certa do PT, terá que governar com a mídia e os bancos, que cobrarão o apoio com juros. Precisará do PMDB, que você acusa de fisiologismo, e do PSDB e o DEM, que lhe exigirão não só cargos, empresas públicas e ministérios, mas também a volta das privatizações. A única base congressual que lhe será fiel é a bancada evangélica, que cobrará seu preço com sua pauta de controle dos costumes e seu fisiologismo extremo. Resultado, você vai entregar a alguém o trabalho sujo do fisiologismo ou mergulhará o país no caos.

10 – Não Marina, seu marido foi sim acusado de contrabando de madeira.
E não só isso, foi acusado pelo TCU de doação de madeira clandestina. A senhora usou sua força política de Ministra para impedir que o caso fosse investigado, como sempre fazem na “velha política”. Mais tarde o MP arquivou, como fazem com todas as denúncias contra membros da oposição. Mais uma vez, fato bem comum na “velha política”. Nada é investigado.

11 – Não Marina, Chico Mendes não era da elite. A elite é que o matou.
Em mais uma tergiversação semântica demagógica, num vilipêndio à memória de seu companheiro, a senhora tomou o termo “elite” pelo sentido de elite moral, para acusar de “divisionismo” os que lutam contra a elite econômica brasileira. Essa mesma elite que mantém o Brasil como um dos dez países mais desiguais do mundo e que hoje está acastelada no seu programa de governo e campanha. Seu discurso despolitizante busca mascarar a terrível e perversa divisão de classes no Brasil e é um insulto aos seus ex companheiros de luta. Seu uso demonstra bem à qual elite você serve hoje, e nós dois sabemos que não é à elite moral. A elite moral desse país está lutando contra a elite econômica para diminuir nossa terrível e cruel desigualdade social. E você, Marina, não é mais parte dela.

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/08/30/professor-desmonta-conteudo-do-site-%E2%80%9Cmarina-de-verdade%E2%80%9D/

Sindicato dos Bancários: Itaú é líder em demissões

 

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Em entrevista a Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, afirma que o banco Itaú, que tem Neca Setúbal, coordenadora do programa de governo de Marina Silva, como acionista, é o que tem a pior relação com os trabalhadores; "Se você olhar os últimos anos, o Itaú foi o banco mais agressivo em termos de demissões. Repito: é o banco com o qual o sindicato mais teve problemas", diz ela; de acordo com Guimarães, "não é Neca Setubal que está na campanha de Marina, mas o banco dela"

31 de Agosto de 2014 às 14:05

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania

A estreita relação da candidata Marina Silva com o banco Itaú tem chamado até mais atenção do que suas polêmicas propostas, como a de interromper a exploração do pré-sal ou reduzir drasticamente o papel do Estado na economia. Vale, pois, saber mais sobre o comportamento desse banco.

Para se ter ideia do papel do Itaú na campanha de Marina Silva, no dia 26 de agosto a equipe dela participou de reunião com um grupo de investidores brasileiros e estrangeiros e o evento foi bancado pelo Itau BBA, braço de investimentos do banco Itaú.

O Itaú, como se sabe, tem entre seus proprietários Maria Alice Setubal, a Neca, que produziu o programa de governo de Marina.

Questionado pela imprensa por ter feito o evento para promover Marina, o Itaú declarou que promoveu eventos parecidos com Eduardo Campos e Aécio Neves, mas não para Dilma Rousseff, o que mostra que não é Neca Setubal que está na campanha de Marina, mas o banco dela.

Diante disso, o Blog resolveu saber mais sobre o Itaú. Para tanto, foi ouvir a presidente do Sindicato dos bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, baiana de Nova Soure. Juvandia chegou a São Paulo em 1990, cursou e se formou em direito e é pós-graduada em política e relações internacionais.

Recentemente, Juvandia foi reeleita presidente do sindicato com 82,11% dos votos válidos. Esse apoio expressivo a credencia a expressar o sentimento da categoria sobre a eleição presidencial.

Confira, abaixo, trechos da entrevista:

Blog da Cidadania – Os bancários já têm uma preferência eleitoral majoritária e coesa ou esse é um assunto que ainda está sendo discutido pela categoria?

Juvandia Moreira – Os bancários de SP e os do Brasil inteiro mantêm a conferência nacional dos bancários e obviamente nós discutimos a eleição porque se trata do futuro do Brasil. Uma categoria como a dos bancários não pode se omitir, mas estou lhe dizendo da posição das pessoas e não uma posição oficial do sindicato, que não se pronuncia oficialmente sobre eleições.

Nós, bancários, fizemos, enquanto categoria profissional, reflexão do que estava em jogo, quais são os projetos que estão colocados e qual seria a nossa posição, e ela é a de apoiar a reeleição da presidenta Dilma. Por que? Porque antes dela e do presidente Lula o país estava submetido a um projeto neoliberal que estava piorando a vida do trabalhador, com desemprego, privatizações, inflação mais alta…

Nós tivemos, nos últimos 12 anos, um governo que promoveu uma política de aumento do nível de emprego, do valor dos salários e de inclusão social. Uma Política que consideramos benéfica ao trabalhador brasileiro porque, ao longo desse período, nossa categoria teve aumentos reais de salário e recuperação do nível de emprego.

Na década de 1990, nós não podíamos nem fazer greve por conta do desemprego alto. Com Lula e Dilma, tudo mudou.

Blog da Cidadania – Recentemente, você se reelegeu presidente do Sindicato dos Bancários de SP. Na sua campanha à reeleição, o tema sucessão presidencial constou de sua plataforma? Ou seja: quando você fala na sua posição política pessoal, o apoio à sua reeleição significa que a categoria bancária concorda com ela?

Juvandia Moreira – Nossa chapa foi reeleita com 82% dos votos. Então, a categoria bancária nos conhece, sabe das nossas posições políticas.

Blog da Cidadania – Qual é o contingente de bancários paulistas sindicalizados?

Juvandia Moreira – Nós temos 130 mil bancários, em São Paulo. Sindicalizados, incluindo aposentados etc., são mais de 60 mil. E se não fossem as demissões no setor nós teríamos muito mais associados ao sindicato. A rotatividade no setor impede que cresça mais o contingente de trabalhadores sindicalizados.

Blog da Cidadania – Você já me respondeu qual é a sua posição política e disse que tal posição é compartilhada ao menos pelos 82% da categoria que votaram em sua candidatura. Agora, estamos vendo uma ascensão muito forte da candidatura Marina Silva. Como os bancários enxergam a possibilidade de ela se eleger presidente?

Juvandia Moreira – Entendemos que o projeto de Marina não tem nem os mesmos compromissos do projeto de Dilma e tampouco condições políticas de implementar suas propostas, ainda que nós discordemos de grande parte dessas propostas.

Qual é a nossa crítica às outras candidaturas com chances na eleição? É o que essas candidaturas representam. No caso de Marina, inclusive, falta força política para realizar tanto o que apoiamos quanto o que não apoiamos em suas propostas.

Blog da Cidadania – Que medidas a Marina poderia tomar que você considera que seriam danosas? Por exemplo, a anunciada independência do Banco Central. Como é que os bancários veem uma medida dessas, que teria tanto impacto no setor de vocês?

Juvandia Moreira – Historicamente (desde 1992), os bancários têm uma posição contrária à autonomia do Banco Central. O governo tem que fazer política econômica e a autonomia retira dele essa possibilidade.

A independência do BC interfere no emprego ao interferir na política industrial, na política de câmbio. Aliás, nem nos Estados Unidos você tem um Banco Central independente.

Blog da Cidadania – O que você acha de Marina ter o banco Itaú dentro de sua campanha?

Juvandia Moreira – Acho que é o Itau que está na campanha de Marina, não só a sua dona. Todos têm lido as críticas públicas que o Itaú, enquanto instituição, faz ao governo e à política econômica da presidente Dilma.

Já faz mais de um ano que o economista-chefe do Itaú tem feito críticas à política econômica e tem oferecido “soluções” que propõem desemprego e recessão para combater a inflação, por exemplo.

Os bancos ganham com políticas de combate a inflação nos moldes que o itaú propõe porque essas políticas se baseiam quase exclusivamente em aumentar os juros que esses bancos cobram.

Blog da Cidadania – O Itaú foi multado pesadamente por sonegação de impostos e com a anuência do governo Dilma. Você acha que essa multa tem alguma relação com a posição política que o banco adotou?

Juvandia Moreira – Não sei foi só por isso, mas é claro que a multa pesou. Mas é, também, porque o banco não gosta da política econômica de Dilma. Sobretudo a forte redução da taxa Selic até o ano passado, mesmo que depois tenha subido.

Blog da Cidadania – Por que o governo multou o Itaú em 18 bilhões de reais?

Juvandia Moreira – Por causa da fusão com o Unibanco. Nesse processo de fusão, em resumo, tem sonegação, tem cálculo errado dos impostos a pagar, mas cabe recurso da multa.

Blog da Cidadania – Um banco como o Itaú, que está tendo tanta influência na campanha eleitoral, que está bancando Marina Silva, como é que essa instituição se relaciona com os trabalhadores que contrata?

Juvandia Moreira – O banco que mais tem dado problema ao sindicato dos bancários nos últimos anos tem sido o Itaú por conta do grande número de demissões que fez. Se a gente olhar os últimos três anos, o Itaú eliminou 17 mil postos de trabalho. Em 2004, tinha 104 mil trabalhadores e tem hoje 87 mil. Isso apesar de o lucro que teve no primeiro semestre ter crescido 33% em relação ao mesmo período do ano passado. Foi o banco que mais demitiu.

Blog da Cidadania – Essa conduta do Itaú de demitir tanto é só dele ou é do sistema bancário?

Juvandia Moreira – Se você olhar os últimos anos, o Itaú foi o banco mais agressivo em termos de demissões. Repito: é o banco com o qual o sindicato mais teve problemas. E, depois do Itaú, o banco que mais demitiu foi o Santander.

http://www.brasil247.com/pt/247/economia/151905/Sindicato-dos-Banc%C3%A1rios-Ita%C3%BA-%C3%A9-l%C3%ADder-em-demiss%C3%B5es.htm

O Povo pensa

Erika Kokay

Ao ver as declarações de Marina Silva, negando o seu próprio programa apresentado largamente para toda a sociedade, me lembrei da frase do barão de Itararé que diz "de onde menos se espera é que não sai nada mesmo". Não poderíamos esperar o combate a homofobia de quem tem a sua construção e a sua linha política pautada no fundamentalismo.

A declaração de Marina Silva representa a consolidação de uma lógica homofóbica. Significa a ausência do Estado no desenvolvimento de uma função em que todo o ser humano possa viver a sua humanidade. São brasileiras e brasileiros que têm no seu recuo, no retrocesso ao seu próprio programa, a constatação de que não terão uma construção que permita que todas as pessoas tenham o direito de ser o que são, tenham o direito de amar, e tenham o direito de viver a sua humanidade.

É lamentável, extremamente perigoso e ameaçador para este País que nós tenhamos uma candidatura que lança propostas e que, em função da fala de um líder religioso, de um pastor que ameaça contestá-la, recua. Esta é uma candidatura que não representa uma postura de um governo de Estado, e que está absolutamente dominada, envergada por lógicas fundamentalistas religiosas, pautada pelas falas de líderes religiosos, na desconstrução da laicidade do Estado. Acredito que muitos outros temas também estão ameaçados, como o direito de amar, de ser, a democracia, e ao mesmo tempo a liberdade e a autonomia de Estado, adquirida a partir da sua própria laicidade.

O recuo no discurso se deu, e todos sabem disso, a partir das ameaças de um líder fundamentalista. Ao ameaçar Marina Silva de fazer oposição, houve um retrocesso imediato. O Brasil não pode sofrer a ameaça de ter uma presidenta da República que mude toda a construção do seu programa e as suas ações a partir da fala de um líder religioso.

Por isto não tenham dúvida: para avançar na construção da luta em defesa do direito de ser, da comunidade LGBT, do combate a homofobia, a candidatura que se apresenta e tem a real possibilidade de fazer esses enfrentamentos é a de Dilma Rousseff. Temos que avançar na construção da democracia e de direitos, para que possamos entender que este País é um País de todas cores e que um beijo tem que ser encarado apenas como um beijo.

domingo, 31 de agosto de 2014

A nova roupa da velha politica

 

No discurso, Marina Silva se apresenta como novidade, mas para chegar ao poder a candidata do PSB recorre a antigas práticas
Josie Jeronimo (josie@istoe.com.br)

O currículo da candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, 56 anos, enumera passagens por pelo menos três partidos, mandatos parlamentares nas esferas municipal, estadual e federal e o comando de uma pasta ministerial num governo do PT. Desde os 30 anos, Marina vive e respira política, nos moldes ditados pelo sistema partidário. Apesar disso, Marina diz encarnar a “nova política”. É enfática em seus discursos ao frisar que não compactua com o vale-tudo eleitoral e o modelo de alianças adotado por PT e PSDB nos últimos 20 anos. A utopia da candidata, ao pregar uma nova era política, rendeu a seus apoiadores o cativante apelido de “sonháticos”. A oratória envolvente de Marina embala milhões de brasileiros desencantados com “tudo o que esta aí”. Com o verniz da “nova forma de fazer política”, ela mascara as antigas e surradas práticas tão presentes em sua candidatura e biografia.

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CAIXA2?
Entrevistada pelo "Jornal Nacional", Marina Silva não conseguiu
explicar o empréstimo do jato utilizado por Eduardo Campos durante a
campanha - a Polícia Federal investiga a origem do dinheiro usado para comprar o avião

Desde o início da campanha, Marina tem condenado as alianças forjadas única e exclusivamente, segundo ela, para alcançar o poder. No entanto, foi por pura conveniência política, nada menos do que isso, que ela aderiu ao PSB quando precisou escolher entre manter a coerência do discurso ou ficar alijada das eleições de 2014. Em setembro de 2013, antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sepultar as esperanças de Marina em lançar candidatura presidencial pela Rede Sustentabilidade, ela produziu um duro artigo contra o PT, comparando a legenda que a criou politicamente a um camaleão que se mimetiza para sobreviver. “Adaptou-se ao que antes combatia”, escreveu. Marina é rígida com as adaptações dos adversários, mas muito sucinta ao explicar seus ajustes.

A composição, por exemplo, com o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), seu vice, exigiu esclarecimentos. Marina é a candidata que diz não receber doações da indústria armamentista, barra projetos do agronegócio no Congresso e não aceita intervenção da ciência no ciclo natural da vida, posições opostas às de seu vice. Nas últimas eleições, o deputado federal Beto Albuquerque recebeu doação de R$ 30 mil da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições (Aniam), que tem como filiadas a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e a Taurus.

Recentemente, Marina reiterou ao PSB sua posição sobre a questão: “Estabelecemos que não iríamos receber nenhum tipo de doação da indústria do tabaco e da indústria bélica. Esses compromissos nós continuamos com eles. É uma mensagem de que defendemos uma cultura de paz. Queremos trabalhar com a ideia de promoção da saúde”, afirmou. Nada disse sobre a arrecadação feita por seu vice.

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Em entrevista ao “Valor”, o candidato a vice se justificou: “É claro que ela sabe. Ela não veio para o PSB para ser PSB, assim como não nos coligamos com a Rede para sermos Rede. Nós somos de partidos diferentes” afirmou Albuquerque. O que para os adversários inspiraria um estrondoso rótulo de aproximação por interesse, na nova política de Marina Silva ganhou tratamento diferenciado. “Nós somos diferentes e a nova política sabe trabalhar na diversidade”, argumentou em sua entrevista no “Jornal Nacional”, na noite de quarta-feira 28.

Marina defende as ideias de seu vice, mas prega distância de outros políticos tradicionais filiados ao PSB, como o deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI) e Paulo Bornhausen, outro ex-integrante do DEM de Santa Catarina convertido ao socialismo. Marina foge para não encontrar os parlamentares nos palanques estaduais. Embora imersa nas águas das velhas práticas, ela não quer parecer contaminada e provoca a ira de antigos militantes. Em tom de provocação, Severino Araújo – presidente do PSB do Paraná, tesoureiro da executiva do partido e ex-secretário de Miguel Arraes – conta que confeccionou 28 milhões de santinhos com a dobradinha de Marina Silva e o tucano Beto Richa, candidato à reeleição no Estado. Ele desafia a candidata à Presidência a vetar o material de campanha e alega que ela sabia dos termos durante o período de convenções. Mesmo assim, permaneceu no partido. “Se ela não quiser foto junto com outros candidatos, tem que fazer outra convenção. Não aceitamos. Essa coisa de nova política não tem a menor lógica. É um sonho, mesmo, como eles dizem.”

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Quando confrontada, Marina recorre a um desgastado artifício das velhas raposas. A tática do “eu não sabia” entrou em debate quando a candidata foi instada a responder sobre ilegalidades no processo de compra da aeronave utilizada pelo PSB para os deslocamentos da comitiva da campanha presidencial. O comportamento, típico dos políticos descolados em driblar a opinião pública, veio acompanhado do clássico brado por investigações. “Meu compromisso é com a verdade. A verdade não virá pelo partido nem pela imprensa e sim pela Polícia Federal”, afirmou Marina em entrevista ao “Jornal Nacional”. A PF investiga o caso e uma das hipóteses é que a aeronave tenha sido comprada com recursos de caixa 2. Loteamento de cargos é outro tema favorito da candidata para atacar os adversários. Porém, a amizade de Marina com o governador do Acre, Tião Viana (PT) garantiu cargo de secretário a seu marido, o técnico agrícola Fábio Vaz de Lima. Somente após Marina assumir a candidatura presidencial ele se afastou da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e Serviços Sustentáveis.

Analistas políticos acompanham com cautela a retórica de Marina. Apesar de a prática ser outra, a candidata consegue dizer o que o povo quer ouvir e trabalha bem com o imaginário popular, resume o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) Paulo Kramer. “Nova política é um rótulo tão gasto que deu nome a uma coleção de discursos de Getúlio Vargas na década de 1950. É um conceito para consumo externo, cativa as grandes massas desencantadas com os partidos políticos”, afirma o especialista.

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Força sedutora do 4G

Bruno Peron

Os serviços de Internet através de telefones móveis aprimoram-se. Investidores sempre encontram uma maneira de ganhar dinheiro com o potencial consumidor de brasileiros, ainda que aqui a burocracia e os custos sociais atravanquem negócios. Alguns deles são os cabeamentos horríveis que se penduram nos postes das ruas em vez de deixá-los subterrâneos nas cidades, e o risco de furto e roubo de aparelhos eletrônicos por aqueles que não podem comprá-los e importunam aqueles que os têm.

Para aqueles que podem acompanhar esses avanços tecnológicos, a expansão da telefonia móvel 4G é promissora no Brasil. Discutiu-se sua viabilidade ao longo de 2012 para que, em 2013, algumas cidades grandes como Brasília e Curitiba oferecessem o serviço. A vantagem da tecnologia 4G em relação à anterior 3G é que aquela oferece acesso muito mais rápido à Internet e permite, assim, interação maior dos usuários com aplicativos, músicas e vídeos enquanto estiverem em vias públicas.

Tudo começou no Brasil com o leilão da faixa de 2,5 GHz pela Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) em junho de 2012 para a implantação da tecnologia 4G. Entretanto, não existe um padrão de frequência da tecnologia 4G que seja aceito no mundo todo. Por isso, a ANATEL também pretende leiloar em setembro de 2014 a faixa de 700 MHz para uso da tecnologia 4G. Com isso, a frequência de 700 MHz complementaria a de 2,5 GHz, além de que ela tem a vantagem do sinal mais abrangente que a segunda e usa-se em países como Argentina e Estados Unidos.

Antes que a frequência de 700 MHz seja usada pela telefonia móvel, contudo, houve um acordo para que emissoras de televisão analógica mudem de faixa. Além disso, é importante destacar que o governo brasileiro terá uma receita inicial de aproximadamente R$ 8 bilhões com a concessão da faixa de 700 MHz e que o procedimento não se deve confundir com privatização. No entanto, espera-se que esses recursos financeiros não se convertam em leite que verta em mamadores compulsivos do governo federal.

Minha preocupação deve-se às oscilações de qualidade em gestão de dinheiro para fins públicos, já que decisões do governo envolvem várias pessoas. Há uma boa recepção a tecnologias novas no Brasil, desde que os sinais das operadoras de telefonia móvel ao menos funcionem e garantam operação mínima dos serviços contratados. Foi mais ou menos com esta disposição que a ANATEL obrigou que, desde junho de 2014, operadoras de telefonia móvel de cidades com mais de 500 mil habitantes disponibilizassem acesso em 4G. O imperativo da lei tem força, embora a oferta do serviço seja também de interesse destas empresas. Aproximadamente 2,5 milhões de pessoas acessam atualmente a telefonia 4G no Brasil em 106 cidades.

É bom que tecnologias avançadas (fibra ótica, 4G, etc.) cheguem também ao Brasil, embora elas sejam mais caras e mais seletivas que em países da vanguarda industrial. Redes de comunicação pavimentam um caminho irreversível na medida em que abrem janelas com que consumidores de vários níveis econômicos e sociais apenas sonhavam. É possível ter acesso a transmissões gratuitas de televisão digital, programas de países longínquos, videoconferências e mensagens instantâneas.

Creio que ninguém contrarie os benefícios que essas tecnologias trazem em qualquer lugar, embora algumas críticas mereçam atenção. Faço algumas: a da publicidade excessiva que transforma o lazer numa prorrogação do sistema produtivo através da televisão; a do compartilhamento de dados pessoais nos cadastros em websites e nas redes sociais da Internet; e a dos smart phones que se transformam num membro dos nossos corpos. Sobre um panorama nacional, agrego que o Brasil integra-se pelas tecnologias de comunicação (sobretudo a televisão), mas se desintegra nos espaços públicos mais tradicionais (as ruas, os bairros, as cidades e as regiões).

A tecnologia 4G é mais um serviço que provoca sedução.

Infelizmente, sua força sedutora evidenciará as margens.

http://www.brunoperon.com.br

MAIS REFORMA ORTOGRÁFICA?

 

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

O último acordo ortográfico da língua portuguesa, que se arrasta por anos, teve a sua vigência prorrogada pelo governo brasileiro de 2013 para 2016 – e já existe projeto de outra reforma na nossa língua portuguesa, essa com mudanças muito mais abrangentes do que a anterior.

O projeto, chamado “Simplificando a ortografia”, é do professor de língua portuguesa Ernani Pimentel e sugere alterações como o fim da letra H no início de palavras (“homem” e “hoje” viram “omem” e “oje”), o fim da junção CH (“chave” e “chuva”, viram “xave” e “xuva”) e o fim da letra S com som de Z (“precisar” e “casa” viram “precizar” e “caza”), entre outras. O objetivo é tornar a linguagem escrita igual à falada.

Muito nobre a intenção do professor, seria muito mais simples termos a nossa língua escrita exatamente da forma como é falada, mas estamos passando pelas dificuldades de uma reforma agora, reforma essa proporcionalmente simples, se comparada com a proposta agora. E já está dando o maior trabalho para todos, seja na escola ou para quem escreve, profissionalmente ou não.

O Acordo Ortográfico, que pretende ser comum a todos os países que falam o português e que já está sendo aplicado nas escolas e nas publicações brasileiras há alguns anos, era para vigir a partir do dia primeiro de janeiro de 2013, mas teve a sua vigência obrigatória adiada por mais três anos.

Livros didáticos e apostilas, usados em todas as escolas do país, tiveram que ser atualizados e reimpressos. Muita coisa foi para o lixo para ser substituída por novas versões atualizadas com a nova ortografia. Agora tudo vai ter que ser substituído novamente? Isso envolve dinheiro público, que poderia ser canalizado para outras necessidades da própria educação brasileira, que vem sendo sucateada sistematicamente. Será que não há nada mais importante para se pensar, para reformar, do que tumultuar o ensino e o uso da língua mãe?

Ou será que estão tentando “simplificar” a nossa língua justamente para disfarçar o sucateamento, por parte de nossos governantes, da educação brasileira, do ensino que está sendo praticado?

Os governantes que aí estão mudaram, recentemente, entre outras coisas, a idade de alfabetização de nossas crianças, que sempre aprenderam a ler e a escrever aos sete anos. Há alguns anos, a data de alfabetização dos pequenos mudou para oito anos. Claro, porque foram feitas muitas mudanças, nos últimos anos, no ensino do primeiro grau, e não foi para melhor. Não só na maneira de ensinar, mas no conteúdo curricular, também. De maneira que existem muitos estudantes no terceiro, quarto anos do ensino fundamental brasileiro que não sabem ler e escrever. Por causa disso, o governo brasileiro decidiu aumentar um ano no prazo para a alfabetização dos estudantes. Simples, não?

Sem considerarmos a confusão que as mudanças causam na maioria dos cidadãos brasileiros. Já havia dificuldade para escrever corretamente. Agora, então, é que não se tem mais segurança de nada.

Felizmente, o projeto ainda não está na Comissão de Educação do Senado, ela será apresentada no Simpósio Internacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa que acontece em setembro, em Brasília. É um assunto que precisa ser pensado e discutido, com muita calma e serenidade, com objetividade, porque afinal, não saímos ainda de uma reforma e já estaríamos prestes a entrar em outra? O que diz disso a Academia Brasileira de Letras? E os outros países que falam a língua portuguesa, o que acharão disso?

Como disse Sérgio Nogueira, colunista de português, “A ‘simplificação’ me parece muito mais um empobrecimento, uma confissão de incapacidade: Fracassamos. Não conseguimos ensinar nem a nossa própria língua porque as regras são difíceis. Não será um acordo ortográfico que vai resolver nossos problemas com o analfabetismo”.

De pleno acordo. O que precisamos é de melhor manutenção e equipamentos apropriados nas escolas, melhor qualificação e pagamento digno aos professores, um conteúdo curricular planejado e eficiente para nossos estudantes.

“Bastou um pastor influente reclamar”, ataca candidato do PV sobre PSB

Eduardo Jorge criticou o recuo da coligação “Unidos pelo Brasil”, que eliminou ou alterou trechos do programa de governo em que se comprometia em articular aprovação de propostas para a comunidade LGBT

Em nota divulgada na noite deste sábado (30), o candidato do PV à presidência da República, Eduardo Jorge, criticou o recuo da coligação “Unidos pelo Brasil”, que voltou atrás e eliminou ou alterou trechos do programa de governo em que se comprometia a articular com o Congresso a aprovação de propostas para a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros e transexuais).

De acordo com a campanha da coligação, encabeçada pela presidenciável Marina Silva (PSB), houve “falha processual na editoração”, pois o texto divulgado inicialmente “não retrata com fidelidade os resultados do processo de discussão sobre o tema durante as etapas de formulação do plano de governo”.

“Bastou um influente pastor reclamar e ameaçar uma guerra santa e a campanha do PSB recuou em dois pontos essenciais: no reconhecimento do direito ao casamento para as pessoas que querem ver respeitada sua livre orientação sexual e na gravidade dos crimes de homofobia”, criticou Eduardo Jorge, em referência às críticas do líder da igreja evangélica Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, ao programa de governo de Marina Silva.

À Folha de S. Paulo, Malafaia declarou que “Marina não fez a correção por causa das minhas críticas”, mas porque “ela sabe que não pode contrariar o povo evangélico”. Segundo ele, “até o mais ignorante dos evangélicos sabe o que é um casamento gay”. A presidenciável do PSB também é evangélica, da Assembleia de Deus. “Será pra valer a promessa do PSB de adotar uma política laica se vencer a eleição?”, indagou Eduardo Jorge na nota.

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/%E2%80%9Cbastou-um-pastor-influente-reclamar%E2%80%9D-ataca-candidato-do-pv-sobre-recuo-do-psb/

Dilma diz que posição de Marina sobre o pré-sal é 'obscurantista’

 

Presidente parte para o ataque após críticas da candidata do PSB à política energética do governo federal

por BIAGGIO TALENTO, da Agência A Tarde

Candidata Dilma Rousseff durante a visita ao SENAI-CIMATEC- Divulgação

SALVADOR – A presidente da República e candidata à reeleição Dilma Rousseff partiu para o ataque após Marina Silva (PSB) criticar a política energética do governo federal e propor o incentivo a fontes alternativas de energia. Nesta sexta-feira, em Salvador, na Bahia, Dilma disse, sem citar a adversária, que a intenção do programa de governo de Marina de colocar o pré-sal em segundo plano é “fundamentalista, retrógrada e obscurantista”.

— Quem acha que o pré-sal tem que ser reduzido, não tem uma verdadeira visão do Brasil. Isso é um retrocesso, uma visão obscurantista. O pré-sal, dependendo da política que você faça, transforma uma riqueza finita num passaporte para o futuro — disse, referindo-se ao fato de 75% dos royalties e 50% do fundo social pré-sal serem destinados à Educação — o que, em 35 anos, pode render recursos de R$ 1,3 trilhão.

A presidente ressaltou que, em 35 anos, o pré-sal pode render recursos de R$ 1,3 trilhão. Ela criticou a candidata do PSB logo após visitar o Campus Integrado de Manufatura e Tecnologia (Cimatec).

— Não sei se é um desconhecimento da realidade supor que haja, hoje, entre as várias fontes de energia alternativas, alguma para substituir o petróleo no campo da matriz de combustíveis que move os transportes. Nesse (campo) temos algumas alternativas como o etanol, mas ele dá conta da gasolina, já o diesel (do transporte carga) quem dá conta é o biodiesel. No Brasil, a fonte do biodiesel é a soja. Nem o etanol nem o biodiesel são alternativas de fato, concretas ao uso do petróleo. Não substitui, complementa — afirmou.

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Os dois tipos de matriz defendida pela candidata do PSB, a energia eólica e a solar seriam apenas “alternativas” e também complementares na “matriz elétrica”. Dilma defendeu outro alvo de críticas de Marina, as hidroelétricas.

— No Brasil, quem não investir na hidroelétrica está alienando uma das fontes de competitividade do País, porque a alternativa à energia hidroelétrica não é a solar e a eólica, que são complementares — declarou, insistindo: — Não existe essa hipótese de um país que precisa de 70 mil megawatts nos próximos vinte anos fornecer essa energia dominantemente com energia solar e eólica. Isso é uma fantasia, uma irresponsabilidade com o país. Até porque o Brasil precisa de energia para crescer

Para Dilma, só mesmo uma posição fundamentalista explicaria a não exploração da energia hidroelétrica no País.

A presidente chegou a desdenhar das ideias de Marina.

— Não olhar o petróleo como uma das riquezas importantes para o Brasil, não olhar o pré-sal como sendo um grande ganho que esse país teve e essa história de que 'eu vou acabar com o petróleo' primeiro que eu acho que não é real. Esse País não aguenta isso. E mais, além disso, acredito que isso é fruto de uma má compreensão ou de um grande retrocesso e obscurantismo.